Modernismo 3ª fase - Literatura Brasileira

MODERNISMO

TERCEIRA FASE
Contexto histórico: A Redemocratização do Brasil. A ditadura militar no Brasil. Continua predominando a prosa.
Representantes: - Guimarães Rosa – Neologismo – Obra: Sagarana.
- Clarice Lispector – Introspectiva – Obra: Laços de Família, onde a autora procura retratar o cotidiano monótono e sufocante da família burguesa brasileira.
Poesia concreta: - João Cabral de Melo Neto – poeta de poucas palavras. Obra de maior relevância literária: Morte e Vida Severina. Tem intertextualidade com o teatro Vicentino.
É muito importa está atento ao contexto histórico em que a obra está inserida. A literatura nada mais é que um registro social de uma época. Reflete suas características e anseios. Por isso cada Escola Literária está envolta por aspectos exclusivos.

Modernismo 2ª fase - Literatura Brasileira

MODERNISMO

SEGUNDA FASE
Contexto histórico: A Era Vargas. Lampião e o cangaço no sertão
Características: Destaca-se a prosa regionalista nordestina (prosa neo-realista e neo-naturalista).
Representantes: - Graciliano Ramos – representante maior, criador do romance psicológico nordestino – Obras: Vidas Secas; São Bernardo.
- Jorge Amado – Obras: Mar Morto; Capitães da Areia.
- José Lins do Rego – Obras: Menino de Engenho; Fogo Morto.
- Rachel de Queiroz – Obra: O Quinze.
- José Américo de Almeida – Obra: A Bagaceira

Poesia 30/45 – ruma para o universal.
Carlos Drummond de Andrade faz poesia de tensão ideológica.
Fases de Drummond: – Eu maior que o mundo – poema, humor, piada.
- Eu menor que o mundo – poesia de ação.
- Eu igual ao mundo – poesia metafísica.
Poetas espiritualistas: - Cecília Meireles – herdeira do Simbolismo.
- Jorge de Lima – Invenção de Orpheu.
- Vinícius de Moraes – Soneto da Fidelidade.

Modernismo 1ª fase - Literatura Brasileira

MODERNISMO

PRIMEIRA FASE
Início: Semana de Arte Moderna
Contexto histórico: Fundação do Partido Comunista Brasileiro. A Revolução de 1930
Características: Poesia nacionalista. Espírito irreverente, polêmico e destruidor, movimento contra. Anarquismo, luta contra o tradicionalismo; paródia, humor. Liberdade de estética. Verso livre sem uso da métrica. Linguagem coloquial.
Destacaram-se: - Mário de Andrade – Obra: Pauliceia desvairada (Prefácio Interessantíssimo)
- Oswald de Andrade – Obra: Manifesto antropofágico / Pau-Brasil
- Manuel Bandeira – Obra: Libertinagem

Pré-Modernismo - Literatura Brasileira


PRÉ-MODERNISMO

Início: Os Sertões, Euclides da Cunha; Canaã, Graça Aranha
Contexto histórico: Guerra do Contestado.  A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. A revolta da Vacina.
Características: Convivem juntas duas tendências: 1. Conservadora: sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal.
Destacou-se: Euclides da Cunha – Obra: Os Sertões (miséria e subdesenvolvimento nordestino). 2. Renovadora: incorporação de aspectos da realidade brasileira.

Destacaram-se: – Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma (a vida urbana e as transformações de início de século).
- Monteiro Lobato – livro de contos Urupês (a miséria do caboclo, a decadência da cultura cafeeira). Obs.: Foi Monteiro Lobato quem criticou a exposição da pintora Anita Malfatti, chamando-a de “Paranóia ou Mistificação”.
- Graça Aranha, Canaã (imigração além do Espírito Santo).
Poeta representante: Augusto dos Anjos – Obra: Eu e outras poesias.

Simbolismo - Literatura Brasileira


SIMBOLISMO
Início: Missal e Broquéis, de Cruz e Souza
Contexto histórico: Fundação da Academia Brasileira de Letras
Origem: a poesia de Baudelaire.
Características: desmistificação da poesia, sinestesia, musicalidade, preferência pela cor branca, sensualismo, dor e revolta.
Destacou-se: Cruz e Souza (poeta representante) – Obra: Missal e Broquéis.

Parnasianismo - Literatura Brasileira


PARNASIANISMO
Início: Fanfarras, de Teófilo Dias
Contexto histórico: Contemporâneo do Realismo – Naturalismo
Características: Estilo especificamente poético, desenvolveu-se junto com o Realismo – Naturalismo. A maior preocupação dos poetas parnasianos é com o fazer poético. Arte pela arte. Poesia descritiva sem conteúdo; vocabulário nobre; objetividade. Os poetas parnasianos são considerados “os mestres do passado”. Por suas manias de precisão foram criticados severamente pelos poetas do 1º Tempo Modernista.
Destacou-se: Olavo Bilac (poeta representante) – Profissão de Fé.

Realismo/Naturalismo - Literatura Brasileira

REALISMO/NATURALISMO (mesma época)

REALISMO
Início: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, publicado em 1881.

NATURALISMO
Início: O Mulato, de Aluísio Azevedo

Contexto histórico: A Proclamação da República. A Primeira República

REALISMO
Características: Literatura de combate social, crítica à burguesia, ao adultério e ao clero. Análise psicológica dos personagens. Objetividade, temas contemporâneos.
Destacou-se: Machado de Assis – trilogia: Memórias Póstumas de Brás Cubas (narrado em 1ª pessoa); Quincas Borba (“ao vencedor as batatas”); Dom Casmurro (narrado em 1ª pessoa – enigma de traição)

NATURALISMO
Características: Desdobramento do Realismo. Escritores naturalistas retratam pessoas marginalizadas pela sociedade. O Naturalismo é fruto da experiência. Análise biológica e patológica das personagens. Determinismo acentuado. As personagens são compradas aos animais (zoomorfismo).
Destacaram-se: - Aluísio Azevedo – Obras: O Mulato; O Cortiço (romance social, personagem principal do romance é o próprio cortiço).
- Raul Pompéia – Obra: O Ateneu.

Arcadismo - Literatura Brasileira

ARCADISMO
Início: Publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, obra inicial do Arcadismo brasileiro. 
Contexto histórico: Inconfidência Mineira, Revolução Farroupilha e a vinda da Família Real para o Brasil.
Características: Pastoralismo, bucolismo. Ideal de vida simples, junto à natureza . Carpe diem (“aproveite o dia”). Consciência da fugacidade do tempo. Simplicidade, clareza e equilíbrio. Emprego moderado de figuras de linguagem. Natureza racional (é vista como um cenário, como uma fotografia, como um pano de fundo. Pseudônimos. Fingimento / Artificialismo.
Destacaram-se:
- Tomás Antonio Gonzaga – poeta maior do Arcadismo brasileiro com suas liras Marília de Dirceu. Pseudônimo como poeta lírico: Dirceu; pseudônimo como poeta satírico: Critilo (Cartas Chilenas). Autores épicos do Arcadismo brasileiro:
- Cláudio Manuel da Costa – Poeta lírico e épico. Seu pseudônimo é Glaudeste Satúrnio. Seus sonetos são de imitação Camoniana. Obra: Vila Rica.
- Basílio da Gama – Obra: O Uraguai.
- Santa Rita Durão – Obra: Caramuru. Obs.: O índio antes de José de Alencar aparece nos poemas épicos O Uraguai e Caramuru. Portanto, o Arcadismo preparou o Romantismo.

Barroco - Literatura Brasileira

BARROCO
Início: Prosopopeia – poema épico de Bento Teixeira
Contexto histórico: As invasões holandesas no Brasil e época dos bandeirantes
Frequência das antíteses e paradoxos, fugacidade do tempo e incerteza da vida.
Características: rebuscamento, virtuosismo, ornamentação exagerada, jogo sutil de palavras e ideias, ousadia de metáforas e associações. Cultismo ou Gongorismo: abuso de metáforas, hipérboles e antíteses. Obsessão pela linguagem culta, jogo de palavras. Conceptismo (Quevedo): jogo de ideias, pesquisa e essência íntima.
Destacaram-se no Barroco brasileiro:
- Gregório de Matos – apelidado de “A Boca do Inferno”. Oscilou entre o sagrado e o profano. Poeta lírico, satírico, reflexivo, filosófico, sacro, encomiástico, obsceno. Não foi poeta épico.
- Bento Teixeira
- Pe. Antonio Vieira – Expoente máximo da Literatura Brasileira e da Literatura Portuguesa, pois durante sua estada em Portugal aderiu a temas nacionais portugueses e durante a sua permanência no Brasil, aderiu a temas nacionais brasileiros. Era prosador e não poeta, e conceptista, pois atacou o cultismo. Escreveu sermões, entre eles o Sermão da Sexagésima.

Quinhentismo - Literatura Brasileira

QUINHENTISMO
Início: A Carta de Caminha
Contexto histórico: Os portugueses e dos primeiros jesuítas ao Brasil.
Característica: Literatura documental, histórica, de caráter informativo.
A Carta de Caminha é o primeiro documento literário brasileiro. Carta descritiva com espírito ufanista (patriotismo, enaltecer o próprio país) e nativista. Foi parodiada de forma satírica por Oswald de Andrade, poeta modernista. O Quinhentismo serviu de inspiração literária para alguns poetas e escritores do Romantismo (Gonçalves Dias e José de Alencar) e do Modernismo (Oswald de Andrade).
Destacaram-se:
- Pero Vaz de Caminha – A Carta de Caminha
- Pe. José de Anchieta – escreveu textos religiosos, um teatro religioso. Tinha devoção ao culto mariano. Recebeu influência da tradição medieval. Obs.: Não recebeu influência da poesia lírica de Camões (soneto).
- Pe. Manuel da Nóbrega

Romantismo - Literatura Brasileira

Romantismo
Início: publicação de Suspiros Poéticos, de Gonçalves de Magalhães
Contexto histórico: Surgimento da Imprensa no Brasil. A crise do 2º Reinado e a abolição da escravidão.
Características: Predomínio da emoção, do sentimento (subjetivismo); evasão ou escapismo (fuga à realidade). Nacionalismo, religiosidade, ilogismo, idealização da mulher, amor platônico. Liberdade de criação e despreocupação com a forma; predomínio da metáfora.
1ª geração romântica: 1840/50 – indianista ou nacionalista. A temática era o índio, a pátria. Destacou-se: Gonçalves Dias – Obras: Canção do Exílio e I Juca Pirama.
2ª geração romântica: 1850/60 – byroniana (idealismo e melancolia), mal-do-século, individualista ou ultra-romântica. A temática era a morte.
Destacou-se: Álvares de Azevedo – poeta da dúvida. Tinha obsessão pela morte. Recebeu influência de Byron e Shakespeare. Oscila entre a realidade e a fantasia. Obra: Livro de contos Noite na taverna.
3ª geração romântica: 1860/70 – condoreira, social ou hugoana. A temática é a abolição e a república. Destacaram-se: Poesia: Castro Alves – poeta representante da burguesia liberal. Obras: Espumas Flutuantes, O Navio Negreiro, Vozes d’África.
Prosa: José de Alencar (representante maior) – defensor do “falar brasileiro” / dá forma ao herói / amalgamando a sua vida à natureza.
-Joaquim Manuel de Macedo – Obra: A Moreninha.
- Bernardo Guimarães – Obra: A escrava Isaura.
- Manuel Antônio de Almeida – Obra: Memórias de um sargento de milícias.
Modalidades do Romantismo: 
Romance de folhetim – Teixeira e Sousa, O filho do pescador.
Romance urbano – Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha.
Romance regionalista: Bernardo Guimarães, O ermitão de Muquém.
Romance indianista e histórico – José de Alencar, O Guarani.

Ruth Rocha

Nascida em São Paulo, capital, em 1931, Ruth Rocha sempre viveu em São Paulo. Foi orientadora educacional e editora. Começou a escrever artigos sobre educação para a revista Cláudia, em 1967. Em 1969 começou a escrever histórias infantis para a revista Recreio. Em 1976 teve seu primeiro livro editado. De lá para cá publicou mais de cem livros no Brasil e vinte no exterior, em dezenove diferentes idiomas

Ana Maria Machado

Jornalista, professora, pintora e escritora com mais de cem livros publicados, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 24 de dezembro de 1941. Fundou a primeira livraria infantil no Brasil. Exerce intensa atividade na promoção da leitura e fomento do livro. Ocupa a Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras. Ana Maria recebeu muitos prêmios, entre eles o Hans Christian Andersen, o prêmio mais importante da literatura infantil. Seus livros já foram traduzidos em aproximadamente dezesseis países e já venderam alguns milhões de exemplares. Pela Global Editora tem publicado as seguintes obras: Brincadeira de Sombra, Eu Era Um Dragão, A Grande Aventura de Maria Fumaça, Maré Baixa, Maré Alta e Meu Reino por Um Cavalo e Califa Cegonha.

Cora Coralina

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que o mundo conhece como Cora Coralina, nasce em Vila Boa de Goiás (Goiás Velho) a 20 de agosto de 1889. Órfã de pai, chega apenas ao quarto "livro" do primário.
A mãe não gosta dessa coisa de estudo. Moça "sabida" não consegue marido. Aninha prefere ler a ir ao baile e, aos 14 anos, publica o primeiro conto. Para sossego de dona Jacinta, aos 22 anos a filha casa com Cantídio Bretas, juiz de direito, 44 anos.
O casal se muda para Avaré, interior de São Paulo. A esperada vida nova se torna martírio: "Ele tinha a tara do ciúme, de dia e de noite. (...) Era mais culto e eu, mais inteligente. Ele não me perdoava isso. Não pude me apegar a ele, porque ele não me deu nenhuma oportunidade."
Viúva aos 46 anos e com três filhos para criar (a mais velha já estava casada), Aninha arregaça as mangas. Vende livros, lingüiça caseira, banha de porco. Compra sítio em Andradina (SP) e trabalha na roça durante 16 anos. Filhos criados, tem fim a história de Aninha. Nasce Cora Coralina.
De onde tirou o nome? "Em Goiás, havia muitas Anas por causa da padroeira da cidade, Santa Ana. Não queria que nenhuma Ana mais bonita levasse as glórias da minha poesia. Cora vem de coração. Coralina é a cor vermelha. Cora Coralina é um coração vermelho. Minha intenção era não ter xará."
Em 1956, volta para sua Goiás. Vende doces para comprar a antiga casa da família. Objetivo atingido, pode finalmente dedicar-se apenas à poesia. Aos 75 anos, lança o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Depois, Meu Livro de Cordel e Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha. É premiada e festejada. Produz material suficiente para mais três livros, editados postumamente. Morre a 10 de abril de 1985. De sua vida e obra, fica a lição de otimismo:

Nunca escreverei uma palavra para lamentar a vida. Meu verso tem cheiro dos currais: é a água corrente, é tronco, é fronde, é folha, é semente, é vida

Fernando Pessoa

Fernando (António Nogueira) Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa. Em 1912, publicou seu primeiro artigo, "A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada", na revista A Águia. Em 1914, escreveu os primeiros poemas dos heterônimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, aos quais daria personalidades complexas. Sob o nome de Bernardo Soares, Fernando Pessoa escreveu os fragmentos mais tarde reunidos em O livro do desassossego. No ano seguinte, com escritores como Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro, lançou a revista de poesia de vanguarda Orpheu, marco do modernismo em Portugal e que daria grande projeção ao poeta. O único livro de poesia em português que publicou em vida foi Mensagem (1934), marcado pela visão mística e simbólica da história lusa. Fernando Pessoa morreu em 1935, em Lisboa.

Zibia Gasparetto

Zíbia Gasparetto (Campinas, 29 de julho de 1926) é uma escritora espiritualista e médium brasileira. De ascendência italiana, casou-se aos vinte anos de idade, por amor, com Aldo Luiz Gasparetto, com que teve quatro filhos, entre os quais o também médium, escritor e apresentador de televisão Luiz Antonio Gasparetto. Em 1950, já mãe de dois filhos, alega ter acordado certa noite sentido o corpo formigar. Levantou-se, passando a andar pela casa como um homem, falando em alemão, idioma que desconhecia. O marido, surpreendido e assustado, recorreu ao auxílio de uma vizinha que, ao chegar à residência da família, começou a rezar, voltando Zíbia ao normal. No dia seguinte, Aldo Luiz dirigiu-se a uma livraria, onde adquiriu O Livro dos Espíritos, e juntos, começaram a estudar a Doutrina Espírita. Aldo Luiz começou a freqüentar as reuniões públicas da Federação Espírita do Estado de São Paulo, mas Zíbia não tinha como acompanhá-lo, pois não tinha com quem deixar as crianças. Semanalmente, entretanto, faziam juntos um estudo no lar, período em que a médium diz que principiou a sensação de uma dor forte no seu braço direito, do cotovelo até à mão, que se mexia de um lado para o outro sem que a mesma pudesse controlá-lo. Aldo Luiz colocou-lhe um lápis e papel à frente, e tomando-os, Zíbia principiou a escrever rápidamente. Ao longo de alguns anos, uma vez por semana, foi psicografado desse modo, o seu primeiro romance, O Amor Venceu, assinado pela entidade denominada Lucius. Quando datilografado e pronto, a médium encaminhou-o a um professor de História da USP, que à época dirigia um grupo de estudos na Federação Espírita, solicitando-lhe uma opinião. Quinze dias mais tarde, o professor telefonou-lhe informando-a de que era ele quem escolhia os livros a serem publicados pela Editora LAKE, que a obra era boa e que desejavam publicá-la. Atualmente, a médium escreve pelo computador, quatro vezes por semana, em cada dia uma obra diferente.

Literatura Goiana - Parte VI

O sexto período da evolução de nossa literatura está em curso, em meio a grandes transformações em nosso meio sócio-econômico-cultural. A criação de duas universidades, e a Federal e a Católica (PUC), a fundação de Brasília, em 1960, representaram uma mudança no ambiente cultural. Surgiu o GEN (Grupo de Escritores Novos), propondo uma instauração estética intitulada de Práxis, por seu criador, o poeta Mário Chamie. Pontificaram neste movimento literário goiano escritores que viriam a se tornar representativos de nossa literatura, como Miguel Jorge, Heleno Godoy, Yêda Schmaltz, Carlos Fernando Magalhães, Luiz Araújo, Luiz Fernando Valadares e Geraldo Coelho Vaz.

A Editora Oriente, liderada pelos irmãos Taylor e José Oriente, publica centenas de títulos de autores novos e já consagrados. Surgem, neste período, nomes como Gabriel Nascente, Alaor Barbosa, Maria Helena Chein, Emílio Vieira, Eduardo Jordão, Ciro Palmerston, Marieta Telles Machado, Martiniano J. Silva, Brasigóis Felício, Delermando Vieira, Dionísio Pereira Machado, Salomão Sousa, Helvécio Goulart, Luiz de Aquino, Edival Lourenço, Helverton Baiano, Almáquio Bastos, Ubirajara Galli, Tagore Biram, Pio Vargas, Itamar Pires, Edir Meireles,Fausto Valle, Jaci Siqueira, Alice Spíndola,Ana Cárita, Diva Goulart, Kleber Adorno, Lygia Rassi, Ebert Vêncio, Celso Cláudio, Augusta Faro, Leda Selma, Maria Abadia Silva, Pedro Tierra, Edmar Guimarães e Valdivino Braz.


O Gen deu significativa contribuição à renovação e modernidade dos estilos literários, como assinalou a ensaísta Moema de Castro e Silva Olival, em seu livro Gen – um sopro de renovação em Goiás – editora Kelps 2000): “Foi, sem dúvida, um divisor de águas na vida literária de Goiás, um vento promissor: conhecer, discutir, confrontar para renovar.” Uma renovação colocada em xeque, pelo ensaísta Gilberto Mendonça Teles, que via no movimento de renovação praxista em Goiás um entusiasmo juvenil, sem consistência e maturidade. O tempo veio provar que o alarde feito em torno da dita “instauração práxis” era fogo fátuo (fogo de palha) de vez que os nomes do Gen, que vieram a se confirmar como nomes expressivos, deram, sim, uma contribuição notável, por sua participação no debate literário, mas as obras que escreveram posteriormente têm (felizmente) pouco ou nada a ver com a hermética proposta estética defendida por Mário Chamie. A confirmação como escritores veio de seu talento literário, não dos postulados estéticos defendidos com ruído e furor.

A criação da Fundação Cultural Pedro Ludovico, em substituição à Secretaria Estadual de Cultura deu maior impulso à literatura, com o Instituto Goiano do Livro, dirigido pela poetisa Yêda Schmaltz, criando coleções importantes, e instituindo concursos e oficinas literárias. A editora Kelps inicia intensa atividade editorial, publicando centenas de títulos de autores goianos, divulgando-os nas Bienais do livro, realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na crítica literária destacam-se Gilberto Mendonça Teles, José Fernandes, Moema de Castro e Silva Olival, Maria Zaira Turchi, Vera Maria Tietzman e Darcy França Denófrio, dentre outros. Com três nomes consagrados, Bernardo Elis, José J. Veiga e Cora Coralina (sendo os dois últimos em nível internacional) Goiás tem notáveis personalidades na literatura, a exemplo de Paulo Nunes Batista, Valdemes Menezes, Braz José Coelho, Antônio José de Moura, William Agel de Mello, Gil Perini, Hilda Gomes Dutra Magalhães, Helena Sebba, Ercília Eckel, Adelice da Silveira Barros, Luiz Estevão, Francisco de Brito, Isócrates de Oliveira, Célia Coutinho Seixo de Brito, Anatole Ramos, César Baiochi, Hélio Rocha, Maria Terezinha Martins, Carmo Bernardes e Francisco Perna Filho.

Literatura Goiana - Parte V

O quarto período é a fase da transição literária, encontrando as mais variadas influências das escolas romântica, parnasiana, simbolista e moderna. É o período das grandes mudanças, enfatiza Gilberto Mendonça Teles, em A poesia em Goiás. Neste período vêm à publicação obras de João Accioly Barro preto, Derval de Castro páginas do meu sertão e Pedro Gomes, com Pito aceso. A poesia teve reduzida importância nesta fase. O quinto período, para GMT, inicia-se em 1942, com o Batismo Cultural de Goiânia, e a publicação da revista Oeste, indo até a realização, pela União Brasileira de Escritores de Goiás, da I Semana de Arte em Goiás, realizada em 1956.


Fato de grande importância foi a criação da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, que teve Bernardo Elis como seu primeiro ganhador, com a obra Ermos e gerais. Em 1954, realizou-se em Goiânia o I Congresso Nacional de intelectuais, com a presença de personalidades conhecidas, de outros países, como o poeta Pablo Neruda. Lamentavelmente, Gilberto Mendonça Teles não atualizou seu livro A poesia em Goiás, quando da publicação de sua segunda edição, deixando assim de registrar um número expressivo de poetas, surgidos a partir de 1970. Muitos deles ganharam concursos de nível nacional e mesmo internacional, firmaram-se como grandes poetas, mas não estão referidos na segunda edição desta obra, o que diminui sua importância histórica.

A implantação do modernismo literário brasileiro, iniciada com Leo Lynce, teve continuidade com as obras de Bernardo Elis, José Décio Filho, José Godoy Garcia, Afonso e Domingos Félix de Sousa, além do próprio Gilberto Mendonça Teles, um pouco mais tarde, como poeta e crítico de literatura. Uma de suas obras fundamentais é A poesia em Goiás, além de Saciologia goiana (poesia) e obras de referência, no gênero ensaio, estudando os manifestos da modernidade literária, e a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Neste período destacaram-se também o romancista e contista Eli Brasiliense, com “Chão vermelho” e “Pium”. Bariano Ortêncio estreou em 1956, com O que foi pelo sertão. Ficcionista, cronista e folclorista, Bariani Ortêncio é uma das mais destacadas personalidades literárias de Goiás.

Marcam ainda este período autores como Ursulino Leão, romancista, contista e cronista, sendo o romance Maya um de seus trabalhos mais aplaudidos. Outros autores também destacaram-se, como Pedro Celestino, Geraldo Ramos Jubé, Monsenhor Primo Vieira, José Lopes Rodrigues, Demóstenes Cristino, Basileu Toledo França, Regina Lacerda, Rosarita Fleury, Nelly Alves de Almeida, Jesus Barros Boquady, Getúlio Vaz, Mário Rizério Leite, Leo Godoy Otero e Ada Curado.

Literatura Goiana - Parte IV

O terceiro período da evolução histórica de Goiás, assinala Coelho Vaz – inicia-se com a instalação do curso da Academia de Direito, a fundação da Academia de Letras e a revolução de 1030. A publicação do livro Ontem, de Leo Lynce, marca o surgimento do modernismo em Goiás, com atraso de seis anos, em relação à Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922. O mais expressivo e talentoso autor deste período foi, inegavelmente, Hugo de Carvalho Ramos, autor de Tropas e boiadas.

Em estilo regionalista que provocou impacto, logo após sua publicação, este autor goiano mereceu saudação entusiástica, por parte de Monteiro Lobato, e de outros escritores e críticos de sua época. Reconhecido como gênio literário, por parte da crítica, Hugo de Carvalho Ramos não conheceu a glória literária, pois que matou-se, ainda muito jovem, em meio a uma crise de depressão. Os nomes que marcaram este período foram, portanto, Hugo de Carvalho Ramos, com Tropas e boiadas e, na poesia, Leo Lynce, com Ontem, título contraditório, pois que colocava a longínqua paisagem do sertão profundo de Goiás no cenário da modernidade literária brasileira.

Literatura Goiana - Parte III

O segundo período vai de 1830 a 1903, da publicação do primeiro jornal goiano à instalação da Academia de Direito de Goiás, e a fundação da Academia de Letras, na cidade de Goiás, sede da capital da Província. “Em quase um século, muitos acontecimentos marcaram a vida cultural do Estado. Ainda no século XIX, foram criados o Liceu de Goiás e a primeira biblioteca pública, o Gabinete Literário Goiano, o Teatro São Joaquim, o seminário Santa Cruz, onde se formaram notáveis personalidades da vida cultural de nosso Estado. Bernardo Guimarães, importante romancista, reside em Catalão, na condição de Juiz de Direito nomeado.

O primeiro livro impresso, já em 1863, foi Viagem ao rio Araguaia, de autoria de Couto Magalhães, então governador. O vulto literário mais importante desta época é o poeta romântico Antônio Félix de Bulhões Jardim (1845-1887), que defendia ideais abolicionistas. Outros nomes importantes do período foram os poetas Higino Rodrigues (1869-1906), autor do famoso soneto A pinta preta, Manoel Lopes de Carvalho Ramos (1865-1911), autor do célebre poema Goyania, e mais Edmundo Xavier de Barros, Alceu Victor Rodrigues, Genuíno Correa, Matias da Gama e Silva e Augusto Eliseu.